Intercambistas canadenses conhecem a cultura de Brusque

Grupo permaneceu duas semanas na cidade, com atividades em sala de aula, visitas e convivência com famílias de alunos do Colégio São Luiz

Institucional

04.11.2026 - 17:55:13 | 7 minutos de leitura

Autor - Ana Beatriz Bonfim
Intercambistas canadenses conhecem a cultura de Brusque

Durante duas semanas, nove estudantes do Séminaire du Sacré-Coeur, da província de Quebec, no Canadá, vivenciaram a rotina escolar e a cultura brasileira no Colégio São Luiz, em Brusque. Acompanhados por uma coordenadora e um professor, os jovens ficaram hospedados nas casas de alunos da instituição que participaram do intercâmbio no Canadá, em setembro. A experiência proporcionou novas amizades e a oportunidade de conhecer de perto as semelhanças e diferenças entre as duas escolas.
A programação desta etapa do intercâmbio priorizou a participação nas atividades escolares, permitindo que os canadenses conhecessem o cotidiano das salas de aula, interagissem com outros estudantes e compreendessem melhor a proposta pedagógica do Colégio São Luiz. O grupo também participou de atividades esportivas e visitou empresas do setor têxtil, incluindo uma tinturaria e uma confecção, para conhecer etapas do processo industrial, da produção à entrega do produto final.
Segundo a coordenadora do Programa Bilíngue do Colégio São Luiz, Mariane Werner Zen, a programação foi adaptada para ampliar as oportunidades de convivência e aprendizado. A proposta era proporcionar aos visitantes uma experiência mais próxima da realidade dos estudantes brasileiros, para além das atividades esportivas e turísticas.
“Eles tiveram uma oportunidade muito grande de vivenciar o dia a dia escolar. Isso permitiu que fizessem novos amigos e conhecessem o nosso jeito de estudar e de conviver na escola. Também queríamos que entendessem como funciona a nossa economia e conhecessem o processo industrial têxtil, tão presente na nossa região”, explica Mariane.
Outro aspecto trabalhado durante o intercâmbio foi a conexão entre as duas instituições por meio dos valores dehonianos. Ambas têm suas origens ligadas à Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus e compartilham valores relacionados à formação humana e à educação integral.
“Queríamos que eles entendessem que o que conecta as duas escolas não é apenas a amizade, mas também os valores que temos em comum. Eles puderam vivenciar na prática a importância de ter a mente e o coração abertos para aprender coisas novas e compreender o diferente”, destaca a coordenadora.
Mariane também ressalta o envolvimento dos demais estudantes brasileiros que não participam diretamente do programa e a acolhida das famílias anfitriãs. Para ela, a convivência foi fundamental para que os visitantes conhecessem os hábitos e construíssem vínculos durante a estadia.

Amadurecimento dos intercambistas
O professor de Educação Física e História do Séminaire du Sacré-Coeur, Sacha Giroux, também destaca a experiência como uma oportunidade de observar diferentes formas de ensinar e de se relacionar com os estudantes. 
Ele afirma que ficou positivamente surpreso com a proximidade entre professores e alunos no Colégio São Luiz.
“Gostei muito de perceber como os professores se relacionam com os estudantes, com carinho e proximidade. Foi uma oportunidade de conhecer melhor os valores dehonianos e observar como eles se manifestam no cotidiano escolar”, comenta.
Para Sacha, as duas semanas também foram marcadas pelo amadurecimento dos jovens. No início, alguns esperavam uma programação mais concentrada em esportes, mas a participação nas aulas, as atividades culturais e a vivência religiosa ampliaram a compreensão sobre a rotina da escola e a proposta do intercâmbio.
“Cada dia foi diferente, sempre havia algo novo para conhecer. A experiência superou minhas expectativas. Em duas semanas, foi possível perceber o quanto os estudantes cresceram e se adaptaram”, avalia.
A coordenadora canadense Shandra Benoit-Bélisle também chama a atenção para as diferenças culturais na maneira como as pessoas se relacionam. Segundo ela, a proximidade demonstrada pelos brasileiros desde os primeiros contatos foi um dos aspectos mais marcantes da visita.
“Mesmo quando ainda não conhecem alguém muito bem, as pessoas aqui demonstram carinho e acolhimento. No Canadá, normalmente precisamos de mais tempo para construir essa proximidade. Foi muito especial perceber como os estudantes e as famílias nos fizeram sentir acolhidos”, relata.
Shandra também destaca a convivência comunitária como um dos principais aprendizados do intercâmbio. Para ela, a experiência ultrapassou as visitas e atividades programadas, permitindo observar como a escola se integra à vida dos estudantes e das famílias.
“É como se a escola fosse uma segunda casa. A maneira como os professores interagem com os alunos me chamou a atenção. Somos muito gratos pelo convite, pela preparação e por todo o trabalho realizado para nos receber. Conseguimos sentir o carinho das pessoas em cada detalhe”, afirma.

Estudantes destacam amizades, cultura e rotina escolar
As impressões dos nove intercambistas mostram diferentes aspectos da experiência em Brusque. Entre os pontos mais lembrados estão a convivência com as famílias anfitriãs, a alimentação, as atividades escolares, os esportes e a oportunidade de fazer novas amizades.
Ethan Gratton, 17 anos, chegou ao Brasil animado para conhecer a cultura local e praticar futebol. Durante a estadia, também descobriu o valor da convivência em sala de aula e do contato com estudantes brasileiros. “Gostei muito das aulas, porque pude conhecer outros alunos, e também dos esportes. Todos se divertem juntos, e isso tornou a experiência muito especial. A comida é muito boa, e minha família anfitriã foi como uma segunda família para mim. Vai ser triste ir embora”, conta.
Raphael Théo Geoffroy, 14 anos, destaca as diferenças culturais e a rotina escolar brasileira. Para ele, a possibilidade de terminar as aulas por volta do meio-dia e aproveitar o restante do dia foi uma das novidades. A alimentação também chamou a atenção, especialmente os almoços. “A cultura brasileira é muito diferente da do Canadá, e isso é muito legal. Gostei da experiência na escola, de conhecer as pessoas e de experimentar comidas diferentes”, relata.
Lévy Arcand, 15 anos, considera que o intercâmbio mostrou que, apesar das diferenças, os estudantes dos dois países têm muito em comum. Ele fez novas amizades, aprendeu algumas palavras em português e conheceu aspectos diferentes da rotina escolar e religiosa.
Gabriel St-Jean, 14 anos, conta que gostou de conhecer a rotina dos estudantes brasileiros e de compartilhar momentos com os colegas canadenses e brasileiros. Para ele, a convivência e as experiências realizadas em grupo foram os pontos altos do intercâmbio.
Noam Nathaniel Jacque Leblanc, 14 anos, afirma que a estadia foi uma das melhores experiências de sua vida. Ele destaca a receptividade da família anfitriã e as pequenas diferenças culturais que, somadas, tornaram a vivência em outro país especial. A língua foi o principal desafio, especialmente para se comunicar em estabelecimentos comerciais, mas o estudante afirma que a experiência ampliou sua compreensão sobre o Brasil. Também se surpreendeu com a estrutura das casas, das igrejas e da cidade.
Para Laurent Benoit Renaud, 14 anos, a diferença no idioma foi uma dificuldade no início. Com o passar dos dias, porém, sentiu-se mais à vontade para conversar com os colegas e professores. Entre suas lembranças favoritas estão a ida à praia, os jogos de futebol e as conversas na escola. Ele também observou diferenças entre as igrejas brasileiras e canadenses, especialmente em relação ao tamanho dos espaços.
Maxence Jobidon, 15 anos, conta que a experiência foi marcada principalmente pela convivência com as pessoas. Para ele, muitas situações do dia a dia são semelhantes às que vivencia no Canadá, o que tornou a adaptação mais natural. A comida também está entre suas melhores lembranças. Outro resultado importante foi a aproximação com os demais estudantes canadenses que participaram da viagem, com quem construiu amizades durante as duas semanas.
Loic Nathanael Eboue Eboumbou, 14 anos, destaca o acolhimento da família anfitriã e as atividades realizadas durante a estadia. Segundo ele, a convivência permitiu conhecer pessoas novas e perceber a receptividade dos brasileiros. Mesmo com as dificuldades de comunicação, já que nem todos falam inglês, o estudante considera que a experiência foi positiva.
Mathieu Charles Newcomb, 16 anos, avalia o intercâmbio como uma experiência muito boa, marcada por descobertas e momentos de convivência. Para ele, as atividades realizadas na escola, a gastronomia brasileira e a possibilidade de compartilhar momentos com os colegas foi o mais marcante do intercâmbio.

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