Estudantes participam de simulação da ONU em Curitiba
No evento, aluna Amanda Erthal da Cunha foi reconhecida como a melhor delegada de seu comitê

O Colégio São Luiz foi uma das instituições participantes do Mundo CMC - Simulado das Nações Unidas do Colégio Militar de Curitiba. O evento foi realizado entre os dias 23 e 25 de maio, na capital paranaense, e reuniu cerca de 400 estudantes, de 15 instituições educacionais do Brasil para discutir temas atuais em simulações de comitês da ONU.Esta foi a quarta participação do Colégio São Luiz no evento, que foi representado pelos alunos que fazem parte do Clube de Debates da instituição: Maria Clara Petry Teixeira, Amanda Erthal da Cunha, Guinter Comper, Maria Clara Ulber Feuzer, Ariane Oriques, Alice Rensi Botelho, Sophia Fischer, Joana Pazzini Mueller e Samuel Baron.As simulações seguem o Modelo das Nações Unidas (MUN), técnica de debate em que os participantes desenvolvem habilidades como negociação, resolução de problemas, raciocínio lógico, criatividade e oralidade. No evento, os estudantes são divididos em comitês, que existem dentro da ONU, e cada um representa uma delegação. Dentro desses grupos é apresentada uma questão que precisa ser resolvida.\"Para participar, eles precisam se preparar muito bem e estudar, principalmente, geopolítica. Eles precisam entender os cenários de cada país, para poder representá-los. O que eles fazem durante o evento é a representação de papéis, então, para se colocarem no lugar de um estado nação, eles precisam entender como aquele estado se posiciona perante a ONU sobre determinado assunto\", explica a coordenadora do Ensino Médio, Cintia Cardoso, que acompanhou o grupo no evento.De acordo com ela, existem técnicas para poder atuar nessas simulações e todos os métodos são trabalhados com os alunos no Clube de Debates, onde eles aprendem a como fazer os discursos, os posicionamentos e entendem as regras de funcionamento das simulações.No Colégio São Luiz, o Clube de Debates se reúne semanalmente e é organizado pelos próprios estudantes. Neste ano, as atividades são coordenadas pela aluna Maria Clara Petry, que já participa do clube há mais de dois anos, e liderou a preparação para esta edição do evento no Colégio Militar de Curitiba.
Experiência enriquecedoraPara os estudantes do Colégio São Luiz, participar do Mundo CMC foi mais do que representar uma delegação: foi uma vivência transformadora.Alice, que integrou o comitê COP30 representando a Alemanha, descreveu a experiência como um grande passo fora da zona de conforto. “Tive que aprender a lidar com outras pessoas, fazer acordos, interagir, ver outros pontos de vista. Precisávamos encontrar soluções dentro do comitê, e aprendi muito observando os outros delegados. Consegui melhorar minha oratória e me expressar melhor”, afirmou.Sophia, que representou o Afeganistão no Comitê Especial de Política e Descolonização (Specpol), também participou pela primeira vez. Mesmo enfrentando o desafio de estar sozinha em seu comitê, ela destacou a acolhida que recebeu. “Fiquei nervosa no começo, mas todos foram muito acolhedores. Ao longo dos três dias, fui perdendo a vergonha de falar e percebi meu progresso. Foi uma experiência incrível”.O comitê, que tratou do reconhecimento da Palestina como Estado-membro da ONU, foi um dos que marcou os alunos pela complexidade do tema. Apesar de não alcançar um consenso, a aluna Maria Clara Petry destacou o valor da vivência. “Às vezes, a falha do comitê reflete a realidade. Tínhamos representantes de Israel e Palestina, e era muito difícil chegar a um acordo. Isso mostra que cada um cumpriu seu papel de forma coerente”.Já Maria Clara Feuzer participou do Gabinete Econômico, uma simulação ambientada na Coreia do Sul de 1953, representando Lee Ki-Pong. “Foi bem diferente dos outros comitês, porque representamos pessoas, não países. Eu era uma parlamentar e participei da reestruturação econômica da Coreia do Sul após a guerra. Mesmo com colegas do colégio no mesmo comitê, cada um tinha seu papel e seus próprios objetivos. Aprendi muito sobre economia, termos como PIB, dívida externa e como as políticas afetam o país”, relatou.Maria Clara Petry, que também integrou o Gabinete Econômico representando Byun Young-Tae, destacou o quanto a experiência exigiu preparo e autonomia dos participantes. “Esse comitê foi o que mais forçou a gente a saber do que estava falando. Não trabalhávamos juntos o tempo todo, porque cada um era de uma área diferente. Começamos em 1953 e fomos até 1966, acompanhando o avanço dos anos e tomando decisões coerentes com o tempo. Tivemos que entender sobre PIB, inflação, taxa de juros, como controlar a inflação... A maioria dos debates não era moderada pelos juízes: nós mesmos precisávamos organizar as discussões e apresentar os resultados. Foi o mais dinâmico e o que mais tirou a gente da zona de conforto”.Amanda, que inicialmente não esperava estar no Gabinete Econômico, representou Emanuel Freedman, repórter do The New York Times. “No começo fiquei perdida, porque gosto de geopolítica, mas não sou ligada à economia. Quando vi aquele monte de dados econômicos no quadro, me questionei sobre o que fazer. Mas me surpreendi. Trabalhar sozinha, criar documentos, redigir relatórios, foi muito enriquecedor”, contou.O desempenho de Amanda, inclusive, chamou a atenção da mesa diretora do comitê, que a reconheceu com o título de Melhor Delegada. “Ao final das simulações, há três formas de reconhecimento: a Menção Oral, a Menção Honrosa e o prêmio de Melhor Delegado. Esse último é dado ao participante que mais se destacou no comitê, e neste ano, Amanda foi escolhida pela mesa diretora como a melhor em seu comitê”, explicou a coordenadora Cintia.Joana, que também esteve no comitê COP30, representou a Índia. “Apesar de estar no mesmo comitê da Alice, estávamos em posições muito diferentes. Tivemos que interagir com representantes de outros países, criar alianças e buscar soluções conjuntas. Foi desafiador e muito enriquecedor, tanto em conteúdo quanto em crescimento pessoal”.Para Samuel, que integrou o Conselho de Segurança da ONU, representando a Alemanha, a experiência foi marcada por um desafio adicional: os debates aconteceram em inglês. “Discutimos a situação da antiga Iugoslávia e como conter os conflitos. O nível de inglês dos participantes me impressionou. Foi uma experiência muito valiosa, dentro e fora das sessões”.Ariane participou do Comitê Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que abordou os refugiados climáticos em países insulares. Representando Palau, ela destacou a importância do tema. “São países que quase não poluem, mas são os mais afetados pelas mudanças climáticas. Enquanto isso, grandes potências como EUA, China e Índia continuam poluindo. Essa foi uma das principais discussões dentro do comitê”.Um diferencial da edição deste ano foi a parceria com uma ONG de apoio a refugiados. “Durante o evento, as mesas – que funcionam como juízes – propunham desafios aos comitês. Para cumprir esses desafios, os delegados faziam ‘lances’ e o valor arrecadado foi destinado à ONG. Foi uma forma criativa de unir aprendizado com solidariedade”, ressaltou Cíntia.Guinter representou o cientista Dave Proctor, no comitê voltado à missão Apollo 11. “Representamos cientistas da NASA. Tínhamos que enviar ordens à mesa sobre o que seria desenvolvido com o objetivo de chegar à lua. Foi muito legal, principalmente para mim, que gosto de temas ligados à ciência. No começo fiquei nervoso, porque era minha primeira vez e eu estava sozinho. Mas no segundo dia já estava mais solto. Foi uma experiência muito boa”.
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