Educação dehoniana forma jovens para um mundo mais unido

Conselheiro-geral da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus para as Américas, Padre Willyans Prado Rapozo participou do 2º Encontro de Educadores Dehonianos

Institucional

16.09.2026 - 16:01:10 | 4 minutos de leitura

Autor - Ana Beatriz Bonfim
Educação dehoniana forma jovens para um mundo mais unido

O 2º Encontro de Educadores Dehonianos da América do Sul, realizado no início de setembro, na Casa Padre Dehon, em Brusque, contou com a presença do conselheiro-geral da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (SCJ) para as Américas, padre Willyans Prado Rapozo. Natural de São Paulo, ele atua em Roma e representa cerca de 45 países entre a América do Norte e América do Sul, onde está presente a Congregação SCJ. 
Para o religioso, o encontro foi uma oportunidade de aprofundar uma identidade que ultrapassa as características individuais de cada instituição. Segundo ele, desde o primeiro encontro educacional, realizado em 2023, uma das principais preocupações esteve voltada à compreensão sobre quem são os educadores dehonianos e qual é o diferencial das escolas que carregam esse carisma.
“Agora estamos aprofundando este tema, inspirados pela “pedagogia do coração”. Padre Dehon, fundador da nossa congregação, tinha uma preocupação muito especial com a educação de crianças e jovens. Inclusive, iniciou seu trabalho no Colégio São João, em São Quintino, na França. Ali ele desenvolveu uma pedagogia a partir da sua própria experiência de fé fundamentada no amor e na reparação. Hoje nós chamamos de “Pedagogia do Coração”, conta padre Willyans. 
O religioso comenta que Padre Dehon pensava além do ensino. Ele almejava uma educação integral, que transformasse, de fato, a criança e o jovem em uma pessoa também de fé, capaz de abraçar sua responsabilidade social e viver sua intimidade com Deus. 

Um carisma presente em diferentes continentes
A presença internacional da Congregação SCJ faz com que as escolas dehonianas estejam inseridas em realidades muito diferentes. Segundo o padre Willyans, são mais de 30 instituições educacionais espalhadas pelo mundo, entre escolas que ainda pertencem à Congregação e outras que mantêm uma ligação carismática e são acompanhadas pelos religiosos.
Há instituições em países da África, Europa, América do Norte e América do Sul, entre eles Camarões, Congo, Itália, Espanha, Brasil, Chile, Venezuela, Estados Unidos, Canadá, entre outros.
De acordo com Padre Willyans, apesar das diferenças culturais, políticas e sociais, o educador dehoniano enfrenta desafios que se repetem em diferentes partes do planeta.
“Na Venezuela, por exemplo, as escolas convivem com dificuldades relacionadas à situação política e à pobreza. No Chile, também existem desafios sociais e econômicos. Na Europa, o avanço da secularização traz outras questões, como os debates em torno da presença do ensino e dos símbolos religiosos nos ambientes escolares. No Canadá, situações semelhantes também são enfrentadas. Muitos desafios são comuns e próprios da realidade do nosso tempo”, observa.
Entre eles, o sacerdote aponta para a necessidade de ajudar os jovens a desenvolver um sentido de vida, uma perspectiva de futuro e esperança. A ansiedade, a velocidade das transformações provocadas pelas redes sociais, as dificuldades de concentração e os problemas familiares são questões que chegam às escolas de diferentes países. 

Criar pontes para compartilhar experiências
É diante de contextos tão distintos e, ao mesmo tempo, de realidades tão semelhantes, que o intercâmbio entre as instituições dehonianas ganha importância, graças a um movimento iniciado em Brusque, pelo Colégio São Luiz. 
“Em primeiro lugar, é muito importante nós nos encontrarmos, estarmos juntos. Partilharmos as dificuldades, mas também as esperanças, as alegrias, as bênçãos e o que acontece em cada escola. Num mundo que está tão dividido, acho que esse é o primeiro fruto”, destaca.
A aproximação, naturalmente, ainda fomenta as parcerias internacionais, para o embarque de professores e estudantes. Intercâmbios com países como Canadá, Alemanha, Chile e Indonésia têm permitido que alunos conheçam outras realidades e ampliem seus horizontes. “Esse contato tem ajudado, inclusive, na consciência de que queremos trabalhar em conjunto”, afirma.
A tecnologia também tem sido utilizada para aproximar estudantes de diferentes países. Uma iniciativa que conecta escolas dehonianas no mundo é a conferência on-line anual, permitindo que os alunos se conheçam, reflitam sobre temas de interesse comum e apresentem suas próprias produções. A primeira experiência apresentou o tema “O amor que transforma” e, a próxima, será “Um mundo sem guerra”, diante da realidade dos conflitos atuais. 
“A proposta envolve estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio, além da participação de universitários. O objetivo é promover a integração e reforçar o aprendizado de outras línguas, embora o encontro ocorra em inglês”. 
Na avaliação do padre Willyans, as experiências internacionais devem continuar. Para ele, conhecer outras culturas ajuda os estudantes a perceberem que o mundo vai muito além do contexto em que vivem. “Isso abre os horizontes e expande a perspectiva. O aluno começa a pensar de uma forma mais ampla, sem levar apenas em consideração a sua realidade local”, explica.

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