Curso de Filosofia visita Aldeia Tava í
Acadêmicos da Faculdade São Luiz conheceram a cultura indígena do local

Os acadêmicos do 2º e 3º Ano do curso de Filosofia da Faculdade São Luiz, acompanhados por professores da instituição, visitaram a Aldeia Tava í, localizada no interior da cidade de Canelinha (SC). O projeto de extensão ocorreu na manhã desta segunda-feira, 17 de abril, e reuniu cerca de 50 participantes. “A proposta era a observação de campo de uma aldeia indígena, tendo em vista os costumes, a cultura, o idioma e a religião que praticam, tão diferente do que é conhecido por nossos acadêmicos, sejam seminaristas ou leigos”, conta a professora Lara Emanuele da Luz Batisti, que integrou a expedição. Segundo ela, a Aldeia Tava í está em Canelinha desde 2007, logo após o deslocamento das famílias indígenas da Aldeia Itaty, que estava situada no Morro dos Cavalos, no trecho em que era necessária a duplicação da BR-101, em Palhoça. Foi por meio de uma indenização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que essa propriedade com 216 hectares foi comprada, na área rural de Canelinha.“Fomos recebidos pelo cacique, que nos mostrou a aldeia, a escola e a casa de reza, onde a tribo nos acolheu com um canto em sua língua original, o Guarani”, relata a professora.
EconomiaA cultura da economia adotada na aldeia também chamou a atenção dos visitantes. Ainda que os índios não estejam impedidos de trabalhar, essa não é uma obrigação para eles. Os adultos vivem do cultivo da terra, mas não plantam além do que consomem. A tribo não se interessa em comercializar o excedente e, tampouco, é adepta do desperdício.“Eles vivem de doações e da venda do artesanato. Até na escola as crianças têm horário para sair e recolher na mata os insumos necessários para essa criação. Desde pequeno eles aprendem isso, é o costume que mantém a atividade”, explica Lara.
EducaçãoHá duas professoras na comunidade, onde a educação ocorre até os anos finais do Ensino Fundamental. De acordo com o cacique, existe o estímulo para que o jovem continue estudando, sobretudo em profissões que possam agregar no dia a dia da aldeia.“Alguns se interessam pelo curso de Medicina, já que o conhecimento do Pajé, através da medicina da natureza, nem sempre é suficiente para algumas necessidades. As mulheres, por sua vez, são livres para escolher se preferem o parto na comunidade ou em um hospital, mas há pessoas especializadas para esse atendimento lá dentro. Advogados, professores e diversas outras profissões são incentivadas para que, depois da formatura, o índio possa voltar e atuar na aldeia”, destaca a professora.
Significativa experiênciaPara o acadêmico Alan dos Santos, a experiência de visita à aldeia indígena foi um divisor de águas em sua formação, pelo encontro de duas culturas extremamente diferentes. Seja no comportamento, na organização social e no sustento das tradições, o jovem se impressionou com o empenho da tribo na preservação de sua origem. “O cacique disse que vivemos pelas horas. O relógio é nosso dono. Para eles, o tempo se divide entre o nascer e o pôr do sol. São pessoas simples e felizes. Refletimos que o modo de estar juntos e de viver a cultura é, também, um modo de realização pessoal”, detalha o acadêmico de Filosofia.
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