Alunos vivem intercâmbio durante nevasca histórica nos EUA
Alunos do Colégio São Luiz estiveram no Mississipi em janeiro

Mais do que viver a imersão de um intercâmbio, oito estudantes e duas professoras do Colégio São Luiz, de Brusque, participaram de uma experiência inesperada: a maior tempestade de neve dos últimos 40 anos nos Estados Unidos. O grupo, que embarcou no dia 9 de janeiro para o Mississipi, precisou adaptar sua programação diante da adversidade climática, que se transformou em uma poderosa lição de autonomia, resiliência e aprimoramento do inglês.Pela primeira vez em quatro anos, o intercâmbio para os Estados Unidos do Colégio São Luiz iniciou na segunda semana de janeiro, como forma de evitar uma estadia mais intensa durante o inverno. A previsão era apenas de chuva para o período, o que se confirmou nas duas primeiras semanas de viagem. A virada climática, no entanto, ocorreu na fase final do intercâmbio e, por precaução, o grupo saiu da Casa Hogya, onde os intercambistas sempre ficam hospedados, para ser recebidos nas dependências da Sacred Heart School, em Southaven, no estado do Mississipi.“Como a casa para voluntários onde sempre ficamos hospedados, que é da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (SCJ), está em uma área mais rural, houve o receio de ficarmos sem energia elétrica e, por consequência, sem aquecimento. Por isso, optamos pela hospedagem na escola mesmo. A tempestade de neve foi tão intensa que fechou várias ruas e avenidas, impedindo a abertura do comércio, das igrejas e de escolas, daí a necessidade de as aulas se tornarem virtuais. Foi assim até o nosso retorno, no fim de janeiro”, conta a coordenadora do Programa Bilíngue do Colégio São Luiz, Mariane Werner Zen.Segundo ela, a nevasca comprometeu pouco a programação do grupo, pois as duas primeiras semanas foram bem intensas com aulas diárias, passeios, visita à outra escola da congregação e convivência com os alunos americanos. Já durante a estadia como hóspedes na escola, o período de convívio em grupo foi especial. “Mesmo diante dos desafios, nossos alunos demonstraram uma capacidade notável de adaptação. A experiência reforçou os quatro pilares de educação da Unesco: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser,\" cita a coordenadora. Esta foi a segunda vez que a professora de inglês do Colégio São Luiz, Janaina Fernanda de Almeida, participou do intercâmbio ao Mississipi. “O programa está bem estruturado, mas cada experiência é única. Vivemos dias atípicos e encontramos no inesperado novas formas de aprender. Ajustamos o que foi necessário e nos orgulhamos de ver a autonomia e a desenvoltura de cada estudante. O inglês praticado no São Luiz traz aos alunos a oportunidade de viver um mundo de experiências e de fazer novos amigos por onde passam”, detalha. Lições internacionaisEstudante do Ensino Fundamental 2, Maria Vitória Ramos Reis se surpreendeu com a experiência. “Fomos bem acolhidos e as duas primeiras semanas de aulas presenciais foram importantes para conhecer novos amigos. Algo que também me marcou foi um tour de ônibus por Memphis. Estivemos em pontos turísticos, ouvindo o guia tocar músicas locais e conhecendo a história da cidade, porque Memphis é o berço do rock e do blues nos EUA. Depois disso, durante a nevasca, a Irmã Margaret Sue, cuidou de nós como se fosse uma avó. Nesse período, participamos das aulas online e apresentamos nosso trabalho sobre a música brasileira”, descreve.Lara Elias Werner já conhecia os Estados Unidos, mas foi a primeira vez que visitou o país sem os pais. “Estava ansiosa, mas eles me acalmaram. Antes do intercâmbio, também pesquisei sobre a cidade e pratiquei muito o inglês. Acredito que deu certo porque estava preparada para viver essa experiência. Meu sonho é estudar no exterior e agora me sinto mais confiante”, afirma.Bastante sorridente, Isabela dos Santos da Silva Costa venceu a insegurança e curtiu muito sua primeira viagem internacional. “Primeiro, fomos hospedados na casa da Congregação SCJ. Mas com a tempestade de neve, nos transferiram para a escola. As meninas dormiram na sala de música e os meninos, na sala de espanhol. Eu sempre tento ver o lado bom da situação e posso dizer que aproveitamos muito essa última semana do intercâmbio, tanto na neve quanto dentro da escola que ficou só nossa! Foi divertido”, recorda. Rafaela Müller Coelho já havia participado de um intercâmbio esportivo pelo Colégio São Luiz no Canadá e garante que a nova experiência foi bastante diferente da anterior. “No primeiro intercâmbio estive hospedada na casa de uma família canadense e, agora, vivi a experiência morando com o nosso grupo de alunos, que se transformou em uma família. Também consegui me aproximar e conversar mais com as pessoas da escola, durante as aulas e no horário do almoço. E a principal diferença foi perceber como diferentes regiões lidam com a neve. No Canadá, eu estava em Quebec, onde neva bastante e faz parte do cotidiano. Assim, tem mais estrutura e nenhuma necessidade de fechar escolas ou comércio. O problema é que no Mississipi não neva sempre com essa intensidade. Foi um episódio inesperado e, por isso, tivemos que readaptar a rotina”, relata. Destemida foi a jovem Laura Ulrich Silva, que pela primeira vez embarcou em um avião e justamente para viver um intercâmbio longe dos pais. Ela também demonstrou confiança e atitude ao contar que, durante as aulas regulares na Sacred Heart School, ensinou em inglês aos colegas americanos um método mais simples de matemática, diferente da metodologia aplicada por lá. “A professora tinha um jeito de ensinar diferente. Aproveitamos para mostrar como o nosso professor nos ensinou a fazer aquele tipo de cálculo e os alunos se surpreenderam ao conhecer um jeito diferente e até mais fácil de chegar no mesmo resultado. Ainda assim, continuaram usando o método que conhecem, mas agregando um novo conhecimento. Isso é parte importante do intercâmbio”, conta. Exibindo uma cruz dehoniana junto ao peito, o estudante Yuri Pehnk Bork garante que foi uma das melhores experiências de sua vida. Determinado, ele sonhava com esse intercâmbio desde o 5º ano e se empenhou para ser selecionado. “Aproveitei todo o inglês que o São Luiz oferece. Também cuidei das notas e evitei ter ocorrências. É importante ser um bom aluno e um bom exemplo. Meus pais me incentivaram neste processo e, um dia por semana, nossa comunicação em casa era apenas em inglês. Hoje, a cruz dehoniana, que é uma recordação, permanece comigo para lembrar que Deus está sempre por perto”, expressa. Francesco Giuseppe Sgrott seguiu o caminho do irmão mais velho, Wilson Mario Sgrott Junior, que foi no intercâmbio do São Luiz para o Mississipi em 2024. “Ele disse para aproveitar todas as oportunidades e não deixar passar nada. Foi o que fiz. Entre os meninos, aprendi um pouco de basquete e ensinei um pouco de futebol. Hoje converso com eles por telefone e pretendo voltar ao país no futuro”, projeta.Do Mississipi, Letícia da Rocha Imhof trouxe no coração a saudade de uma amiga muito especial que fez lá. Agora, as duas planejam um reencontro que, se depender da brusquense, será no Brasil. Segundo a aluna, outra marca muito importante deixada pelo intercâmbio foi a visita ao Museu Nacional dos Direitos Civis, que fica em Memphis, no mesmo local onde o ativista Martin Luther King foi assassinado em 1968. “Foi uma visita guiada ao museu que fizemos em conjunto com os professores e alunos da Sacred Heart School, bem na semana em comemoração a Martin Luther King. Fomos recebidos pela diretora do museu que fez mais explicações sobre como podemos atuar para defender os direitos de todos. Não temos dimensão do quanto o preconceito é preocupante. Ali, consegui ter uma noção real de como o racismo aconteceu e ainda acontece”, pontua a estudante. Planos para o futuroOs alunos e professoras desta edição do intercâmbio do Colégio São Luiz com a Sacred Heart School, foram os primeiros brasileiros a serem recebidos na Casa Paroquial do Padres do Sagrado Coração de Jesus. O Superior Provincial, Padre Jack Kurps, SCJ, recebeu o grupo e elogiou muito o programa que vem acontecendo entre as duas escolas dehonianas desde 2023. “É uma alegria muito grande saber que nossos alunos sempre representam tão bem o Colégio São Luiz e continuam abrindo portas para que outros estudantes possam ter a mesma oportunidade. Padre Jack continua nos convidando a continuar com o projeto e disse estar estudando formas de possibilitar que alunos americanos também possam vir ao Brasil estreitando ainda mais nossos laços”, completa Mariane Werner Zen, coordenadora do Programa Bilíngue no CSL.
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